Coluna Grito dos Excluidos 2025
O Grito dos Excluídos chega à sua edição de 2025 reafirmando sua força histórica e sua importância como espaço de mobilização popular, resistência e denúncia contra as desigualdades sociais que ainda marcam de forma profunda a realidade brasileira. Criado em 1995, o Grito nasceu no seio da Igreja Católica, articulado pela Pastoral Social e pela CNBB, mas desde cedo ultrapassou as fronteiras religiosas para se tornar um movimento amplo, que reúne sindicatos, movimentos sociais, pastorais, coletivos e cidadãos comprometidos com a defesa da vida e da justiça social. Ao longo das décadas, consolidou-se como um dos mais importantes momentos de expressão do povo brasileiro, especialmente daqueles que historicamente têm sido silenciados ou invisibilizados: trabalhadores, desempregados, mulheres, negros, povos indígenas, juventudes periféricas e tantas outras vozes que clamam por dignidade.
Em 2025, o Grito dos Excluídos se coloca diante de um cenário em que os desafios se acumulam. O Brasil enfrenta altos índices de desigualdade social, desemprego, precarização do trabalho, cortes em políticas públicas e uma crescente concentração de renda. Os serviços essenciais, como saúde, educação e previdência, sofrem pressões constantes, colocando em risco direitos que foram conquistados com muita luta. Além disso, a crise climática e ambiental agrava ainda mais as condições de vida das populações mais pobres, que são sempre as primeiras a sentir o peso das catástrofes e da ausência de políticas públicas efetivas. Tudo isso demonstra que, mais do que nunca, o Grito dos Excluídos é necessário para reacender a chama da mobilização social e para fortalecer a unidade da classe trabalhadora diante das ameaças aos seus direitos.
Não se trata apenas de uma manifestação simbólica, mas de um ato político e pedagógico. O Grito dos Excluídos denuncia, mas também anuncia. Denuncia a injustiça, a exploração e a violência de um sistema que privilegia poucos em detrimento da maioria, mas anuncia a possibilidade de um país mais justo, solidário e democrático, construído pela ação coletiva dos trabalhadores e trabalhadoras. É nesse sentido que a participação da classe trabalhadora organizada é fundamental. Sindicatos, como o Sindsprev-PE, têm papel decisivo em mobilizar suas bases, trazer para as ruas as pautas da categoria e se somar às demais vozes que exigem mudanças estruturais na sociedade.
O Sindsprev-PE, que historicamente se engaja nas lutas por melhores condições de trabalho, pela valorização dos servidores públicos e pela defesa do Sistema Único de Saúde e da Previdência Social, entende que a participação no Grito dos Excluídos é uma extensão natural de sua missão. Ao lado de outros movimentos sociais, o sindicato contribui para dar visibilidade às demandas da classe trabalhadora e para mostrar que não há futuro para o Brasil sem justiça social, sem garantia de direitos e sem valorização do trabalho.
Neste ano, o lema do Grito ecoa ainda mais alto, convocando cada pessoa a se posicionar diante das injustiças. Ele nos lembra que a democracia não se fortalece apenas nas urnas, mas sobretudo nas ruas, na capacidade de organização popular e na disposição de lutar por transformações concretas. A história do Grito mostra que conquistas sociais nunca vieram de cima para baixo, mas sempre da pressão e da mobilização daqueles que se recusaram a aceitar a exclusão como destino.
Por isso, o Grito dos Excluídos 2025 não é apenas uma manifestação: é um chamado à esperança ativa, à ação consciente e à solidariedade entre os que vivem do trabalho. Mais do que nunca, é preciso unir forças, pois a luta da classe trabalhadora é também a luta pelo futuro do Brasil.