Sindsprev reafirma seu compromisso no enfrentamento à violência contra a mulher
O Agosto Lilás vai além de um mês de conscientização: é um movimento coletivo de responsabilidade, cuidado e ação. Criado para fortalecer o combate à violência contra a mulher, este período nos convoca, como sociedade e instituições, a encarar com seriedade e urgência uma realidade que continua violenta, violando direitos fundamentais.
Conforme o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher, Raseam 2025, com dados referentes a 2024, o Brasil registrou 1.450 feminicídios, o que representa um leve acréscimo em relação aos 1.438 casos de 2023. Isso equivale a uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia pelo simples fato de serem mulheres. No mesmo ano, foram contabilizados 71.892 casos de estupro, e também houve queda de 1,44% em relação a 2023.
Segundo registros do Ministério da Saúde, nos casos de violência contra mulheres adultas (20 a 59 anos), cerca de 60,4?% das vítimas eram mulheres pretas ou pardas, evidenciando a interseção entre gênero e raça na vulnerabilidade.
Já o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, com base em dados de 2024, aponta que mulheres negras foram 63,6% das vítimas de feminicídio, contra 35,7% de mulheres brancas. Esse é o maior número registrado desde 2015 e significou aumento de 0,7% em relação a 2023.
Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra (2023), realizada por DataSenado, Nexus e Observatório da Mulher Contra a Violência, revelaram ainda que:
53% das mulheres negras sofreram a primeira experiência de violência antes dos 25 anos;
Entre elas, 87% relataram violência psicológica, 78% física, 33% patrimonial e 25% sexual;
Cerca de 66% não têm renda suficiente para se manter, e 85% dessas continuam convivendo com o agressor no próprio domicílio, o que evidencia a relação entre violência e vulnerabilidade econômica.
Esses dados reforçam a urgência de políticas públicas, acolhimento, mobilização e atenção especial às mulheres negras que, por vivenciarem maiores fatores de risco, demandam respostas interseccionais de gênero, raça e classe.
É nesse contexto que o Sindsprev-PE se posiciona com firmeza: defendemos uma sociedade livre de todas as formas de violência. Física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial. Nosso compromisso se traduz em ações concretas, como a Formação do Protocolo Violeta, realizada em abril deste ano no Centro de Formação e Lazer (CFL).
Promovida em parceria com a Secretaria da Mulher da Prefeitura do Recife, o Protocolo Violeta oferece diretrizes de escuta qualificada, acolhimento e encaminhamento adequado em casos de violência de gênero. Mais do que formação técnica, foi um ato político e institucional.
Transformar o CFL em um ambiente seguro, acolhedor e livre de violência é compromisso da diretoria do Sindsprev-PE, iniciado com formação e sensibilização e sustentado por respeito, vigilância coletiva e cultura de cuidado.
Reconhecemos que a violência contra a mulher é estrutural, resultado de desigualdades históricas, machismo institucional e omissão do Estado. Como entidade representativa, nos somamos à luta feminista e popular por igualdade de direitos, justiça e vida digna para todas as mulheres.
Neste Agosto Lilás reafirmamos: o Sindsprev-PE não se cala, não se omite, não se esquiva. Estamos ao lado de todas as mulheres servidoras, militantes, mães, filhas e companheiras que resistem todos os dias. E seguiremos construindo coletivamente espaços de luta, proteção e liberdade.
Denuncie. Apoie. Transforme. Juntas, somos mais fortes.