O Racismo Não é Apenas uma Dor Individual é uma Ferida Coletiva


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O racismo se manifesta nos detalhes do dia a dia, no olhar de estranhamento em um restaurante, na desconfiança diante de um candidato negro em uma entrevista de emprego, no afastamento sutil ao ver crianças negras brincando. São situações que, para quem as presencia, podem parecer banais, mas para quem as vive, representam um ciclo constante de exclusão e desigualdade.

O que sente um trabalhador negro ao ter sua qualificação questionada antes mesmo de falar? O que sente uma mulher negra ao ser ignorada em uma fila de atendimento, enquanto outros passam à sua frente? O que sente uma criança negra ao ser a primeira suspeita de qualquer problema na escola?

O racismo não é apenas um problema individual, mas um sistema que limita vidas, oportunidades e sonhos. E hoje, no Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, é preciso falar não só sobre como ele machuca, mas sobre como ele mata. Mata sonhos, mata dignidade e, em muitos casos, mata corpos.

O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, mas ainda mantém suas correntes disfarçadas de desigualdade. A maior parte da população carcerária é negra. A maioria das vítimas de violência policial é negra. Os piores salários e as piores condições de trabalho recaem sobre corpos negros. Se isso não é reflexo de um racismo estrutural, o que mais precisa ser dito?

A desigualdade racial é evidente. Dados do IBGE revelam que, em 2021, as taxas de desocupação foram de 11,3% para os brancos, 16,5% para os pretos e 16,2% para os pardos. Além disso, o rendimento médio mensal da população preta ou parda é de R$1.608, enquanto o das pessoas brancas é de R$2.796, uma diferença de aproximadamente 74%.

A violência também tem cor no Brasil. Mais de 65% das pessoas assassinadas no país são negras, evidenciando um genocídio silencioso que persiste há séculos.

O racismo não fere apenas o físico, mas também a autoestima e a dignidade. Ele gera traumas profundos e alimenta ciclos de dor e insegurança. A luta sindical sempre foi sobre justiça, e justiça só existe onde há igualdade. Defender os direitos da classe trabalhadora passa, necessariamente, por combater a discriminação racial. Isso significa garantir acesso digno ao trabalho, políticas de reparação, respeito às cotas raciais e o fim das violências diárias que, muitas vezes, são silenciadas.

O combate ao racismo não pode ser uma pauta de um único dia, mas um compromisso diário. Para quem sente o peso da discriminação, todo dia é uma batalha. E a resposta precisa ser resistência, justiça e transformação.

Que sejamos voz. Que sejamos ação. Que sejamos mudança.

Não basta reconhecer o racismo. É preciso destruí-lo pela raiz, antes que ele destrua mais vidas.

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